top of page

A mudança começa quando você entende o cérebro


Sabe aqueles hábitos que nos acompanham ao longo dos anos, que depois de inúmeras tentativas não conseguimos mudar?

Desistimos, cansamos, desanimamos.

E, de fato, mudar não é fácil.


Isso acontece porque mudar um hábito não é apenas uma decisão racional.

Muitas vezes, precisamos de motivação para iniciar — e de estrutura para sustentar a mudança ao longo do tempo.


Mas aí surge uma confusão muito comum.

Vivemos ouvindo que “motivação não importa”, que basta ter determinação, agir pela razão e ignorar o que sentimos. Muitos discursos de autoajuda e coaching reduzem o processo de mudança à força de vontade, como se o cérebro funcionasse apenas na base da disciplina.


A neurociência mostra que não é assim.


A motivação tem um papel essencial no início do processo de mudança porque ela está diretamente ligada aos sistemas cerebrais de recompensa, especialmente à dopamina. Quando o cérebro percebe sentido, prazer ou expectativa de ganho, ele se engaja com mais facilidade. Sem isso, a mudança se torna pesada, aversiva e, muitas vezes, insustentável.


No entanto, a motivação sozinha também não é suficiente.

Ela é instável, flutua com o cansaço, com o estresse e com o ambiente. Por isso, confiar apenas nela leva muitas pessoas a começarem empolgadas e desistirem no meio do caminho.


É aqui que entra a neuroplasticidade cerebral.

O cérebro muda a partir da repetição, da atenção e do contexto. Quando pequenas ações são repetidas de forma consistente, novas conexões neurais se fortalecem, e o que antes exigia esforço passa, aos poucos, a se tornar mais automático.


Ou seja, não é sobre esperar sentir motivação todos os dias.

É sobre criar condições para que o cérebro aprenda um novo caminho.


Pequenas escolhas, feitas de forma consciente e repetida, ensinam o cérebro que existe outra forma de agir. Com o tempo, o esforço diminui, a resistência cai e a mudança deixa de depender exclusivamente da força de vontade.


Como educar o cérebro (à luz da neurociência)

Educar o cérebro não é forçá-lo, nem ignorar emoções.

É ensinar novos padrões por meio de experiência, repetição e contexto adequado.


Donald Hebb, neuropsicólogo canadense, formulou um dos princípios centrais da neuroplasticidade:

“Neurônios que disparam juntos, se conectam.”

Isso significa que comportamentos repetidos fortalecem circuitos neurais específicos. Pequenas ações consistentes têm mais impacto do que grandes esforços esporádicos.


Além disso, o cérebro só muda aquilo que recebe atenção. Pesquisas sobre os sistemas atencionais mostram que automatismos antigos continuam existindo porque foram reforçados ao longo do tempo sem consciência. Quando uma nova ação é realizada com atenção, o cérebro entende que aquele caminho importa.


Outro ponto essencial é a emoção. Antonio Damasio demonstra que emoção e cognição são inseparáveis. O cérebro aprende melhor quando se sente seguro. Ambientes de culpa, autocobrança extrema e punição ativam o sistema de ameaça, dificultando a aprendizagem e a mudança de comportamento.


O contexto também é determinante. Estudos sobre hábitos mostram que eles dependem muito mais do ambiente do que da força de vontade. Ajustar horários, reduzir estímulos, facilitar escolhas saudáveis e dificultar padrões antigos ajuda o cérebro a aprender sem exigir esforço constante.


Por fim, a dopamina não está ligada apenas ao prazer imediato, mas à expectativa de progresso. O cérebro responde melhor a pequenas vitórias do que à busca por perfeição. Celebrar avanços reais mesmo que pequenos fortalece a constância.

Quando entendemos como o cérebro funciona, deixamos de tratar a mudança como falha moral e passamos a enxergá-la como educação do cérebro.

Não é sobre sentir motivação todos os dias.

É sobre criar condições para que o cérebro aprenda um novo caminho, passo a passo.


Para te ajudar nessa jornada de aprendizagem


Se você sente que mudar hábitos tem sido difícil, saiba que isso não é falta de força de vontade é uma questão de como o cérebro aprende.


Para aprofundar esse processo de educação do cérebro, sugiro a leitura de alguns textos que podem te auxiliar nessa caminhada:


Dopamine Menu: isso realmente funciona?

Neste texto, explico como a dopamina atua no cérebro, o que é o dopamine menu e quais são seus limites e benefícios reais à luz da neurociência.


Constância: o que a neurociência explica sobre manter hábitos ao longo do tempo

Aqui, você vai entender por que manter hábitos é mais difícil do que iniciá-los e como a neuroplasticidade, o ambiente e a repetição consciente influenciam a constância.



Insight Lavanda : Aprender sobre o funcionamento do cérebro não é apenas informativo.

É libertador.

 
 
 

Comentários


Logo Lavanda Insights 2

Fique de olho na sua caixa de e-mail para novas postagens

Lavanda Insigths by Isabel Siveira

E-mail: lavandainsigths@gmail.com

© 2025 by Lavanda Insights - Isabel Silveira 

bottom of page