Proteja seu cérebro do caos da hiperestimulação
- Lavanda Insights
- há 2 dias
- 3 min de leitura

Desde o último texto que escrevi sobre hiperestimulação “O hábito noturno que está sabotando a sua aprendizagem”, pensei que seria importante dar continuidade a esse assunto. Então, primeiro, quero mostrar a vocês como a realidade em que estamos inseridos tem moldado o nosso cérebro, cada dia mais diminuindo a nossa capacidade de foco e aprendizagem.
Mas antes de continuar aqui, sugiro que você leia o outro post primeiro, pois lá há conceitos que não irei aprofundar aqui.
Por exemplo: em algum momento você já se pegou assistindo a uma série, ao mesmo tempo vendo vídeos no Instagram e, ao mesmo tempo, conversando com um amigo no WhatsApp? Veja quantas coisas você está fazendo ao mesmo tempo.
É nesse cenário que acontece a hiperestimulação, a condição em que o cérebro precisa processar mais estímulos do que consegue organizar. E, do ponto de vista neurocientífico, você precisa saber: o cérebro humano não foi projetado para lidar com múltiplas fontes de informação relevantes ao mesmo tempo.
A realidade é que esse hábito tem se tornado parte do nosso dia a dia. E é justamente a partir dessa realidade que surgem muitas indagações como:
“Eu não tenho mais vontade de ler.” “Por que não consigo lembrar do que leio?” “Sou tão jovem e já ando esquecendo tantas coisas.”
É nesse cenário que memória, atenção e aprendizagem estão sendo profundamente afetadas. Essa é a consequência de estarmos hiperestimulados desde a hora que acordamos até a hora que vamos dormir.
Para que essa realidade mude, você precisa aprender a proteger o seu cérebro, para que ele não entre em colapso.
Existe um sistema em nosso cérebro chamado Sistema Reticular Ativador Ascendente (SRAA), localizado no tronco encefálico. Esse sistema regula o estado de alerta e funciona como um filtro, decidindo quais estímulos sensoriais chegam à consciência. Em condição normal, ele protege o cérebro de excessos e também auxilia a hierarquizar o que realmente merece atenção.
O que a ciência revela sobre esse colapso de estímulos
Quando somos expostos a muitos estímulos ao mesmo tempo, o SRAA começa a falhar em sua função de filtro. O resultado é um estado de hiperalerta constante, no qual o cérebro permanece em modo de sobrevivência, consumindo grande quantidade de energia metabólica.
Estudos em neurociência cognitiva demonstram que a multitarefa contínua:
reduz a eficiência do córtex pré-frontal (região do foco, planejamento e controle),
prejudica a consolidação da memória no hipocampo,
aumenta os níveis de cortisol, o hormônio do estresse.
Segundo pesquisas da Universidade de Stanford (Ophir et al., 2009), pessoas expostas a múltiplas fontes de estímulo apresentam menor capacidade de filtrar informações irrelevantes, pior desempenho de memória de trabalho e maior fadiga mental.
Ou seja: quanto mais estímulos, menos clareza, menos memória e menos aprendizagem.
Por que seu cérebro começa a “travar”?
O cérebro humano funciona por economia de energia. Quando ele é constantemente bombardeado por notificações, vídeos, sons, imagens e mudanças rápidas de foco, entra em um estado chamado de sobrecarga cognitiva.
Nesse estado:
a atenção se fragmenta,
a memória não se consolida,
a sensação de cansaço aumenta,
a motivação diminui.
Como começar a proteger o seu cérebro
Proteger o cérebro hoje é uma habilidade de sobrevivência cognitiva.
Algumas práticas simples e cientificamente sustentadas:
Blocos de monotarefa: realizar uma atividade por vez por pelo menos 25 minutos.
Redução consciente de estímulos: desligar notificações, silenciar aplicativos, diminuir telas.
Momentos diários de silêncio neural: caminhar, respirar, não consumir conteúdo.
Higiene do sono: evitar telas pelo menos 60 minutos antes de dormir.
Essas ações restauram o funcionamento saudável do SRAA, permitindo que o cérebro volte a filtrar, organizar e priorizar.
Insight final Lavanda
A hiperestimulação não destrói o cérebro de uma vez. Ela o cansa lentamente, todos os dias, até que foco, memória e alegria de aprender desaparecem.






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