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Procrastinação: o segundo em que você desiste

Mulher de cabelos castanhos e expressão pensativa olha para seu reflexo no espelho. Pensando em procrastinar.

Nos últimos dias eu tenho estudado muito sobre procrastinação. E quanto mais eu leio, mais percebo que esse assunto é muito mais profundo do que parece.


Mas não estou estudando apenas para ter conteúdo. Tenho olhado para tudo isso como uma forma de entender a minha própria vida. Eu também estou em processo. Também estou aprendendo a me reeducar.

Eu já falei em outros textos que não nasci disciplinada. Não cresci sendo organizada. Nunca fui aquela pessoa que sempre deu conta de tudo.


Mas sempre existiu dentro de mim um desejo muito sincero de melhorar.

E estudando sobre procrastinação, uma ideia mudou completamente a forma como eu enxergo esse problema.


Procrastinação não é sobre tempo.

É sobre emoção.


Não é que você não saiba organizar o seu dia. Muitas vezes você sabe. Você cria uma rotina, compra um planner bonito, escreve metas, organiza a semana inteira no domingo. Mas quando chega a hora de fazer… algo trava.


Porque, naquele momento, a tarefa desperta algo dentro de você que você não quer sentir.

E esse algo tem nome. É sua emoção.


Existe um detalhe que quase ninguém percebe.

Você não procrastina o dia inteiro.

Você acorda com intenção. Pensa nas coisas que precisa fazer. Acredita que hoje vai ser diferente.


Mas quando a tarefa aparece, algo acontece.


Surge uma insegurança.

Um medo de não dar conta.

Uma lembrança de quando você tentou antes e não conseguiu.


E é exatamente nesse momento que você decide evitar.

Não é o dia inteiro. É um segundo.


Um pequeno instante em que o desconforto aparece e o cérebro procura uma saída rápida.


O corpo também sente isso.


Pode aparecer um frio na barriga.

As mãos suam.

O coração acelera.

Às vezes vem um cansaço repentino.


Tudo isso é o efeito da emoção no corpo.


Grande parte das nossas reações gira em torno de algumas emoções básicas: medo, raiva, alegria e tristeza.


Quando falamos de procrastinação, a emoção que mais aparece é o medo.

Medo de falhar.

Medo de não ser capaz.

Medo de começar e perceber que talvez você não saiba o suficiente.


E muitas vezes esse mesmo medo está travando outras áreas da nossa vida também. Mas hoje eu quero falar apenas sobre procrastinação.


Antes de continuar, existe um ponto importante que pouca gente comenta.


Durante uma parte da nossa vida, o córtex pré-frontal ainda não está totalmente desenvolvido. Essa é a região do cérebro responsável por planejamento, tomada de decisão e controle de impulsos.

Esse processo de maturação acontece principalmente durante a adolescência e início da vida adulta, podendo se estender até cerca de 25 anos.


Por isso muitos jovens têm mais dificuldade em manter constância ou tomar decisões mais racionais. O cérebro ainda está em amadurecimento.


Se você está nessa fase da vida, seu desafio pode ser maior. E isso não significa falta de capacidade. Significa apenas que seu cérebro ainda está se formando.


Existe também outro ponto importante.


Homens e mulheres, em geral, lidam de maneiras diferentes com as emoções. Mulheres tendem a expressar emoções com mais intensidade e frequência, influenciadas por fatores biológicos, hormonais e também culturais.


Por isso um conselho simples: não se compare.

Cada pessoa tem o seu ritmo, suas dificuldades e sua forma de reagir às coisas.


Disciplina não nasce da comparação. Ela nasce do autoconhecimento.


Por isso eu quero deixar um exercício simples.


Comece a observar as suas emoções ao longo do dia.

Quando surgir uma tarefa que você está evitando, pare por alguns segundos e pergunte para si mesmo:


O que eu estou sentindo agora?


Não tente fugir da resposta. Apenas observe.


Com o tempo você começa a perceber padrões. E quando você consegue identificar a emoção, algo importante acontece: você começa a recuperar o controle das suas decisões.


O pesquisador Tim Urban usa uma metáfora interessante. Ele diz que dentro da nossa mente existe um “macaco da gratificação instântanea”, que sempre quer escolher o caminho mais fácil e confortável.


Mas existe também outra parte do cérebro responsável pelas decisões racionais: o córtex pré-frontal.


E existe ainda a amígdala, que está muito ligada às respostas emocionais, principalmente ao medo.


Quando uma tarefa ativa o medo, o sistema emocional assume o controle. E o tal “macaco da gratificação imediata” começa a mandar.


Ele procura qualquer coisa que alivie o desconforto rápido: celular, redes sociais, comida, qualquer distração.


O desafio da disciplina é simples de entender, mas difícil de praticar.

Aprender a suportar aquele pequeno segundo de desconforto sem fugir dele.

Porque, muitas vezes, a procrastinação não nasce de um dia inteiro perdido.

Ela nasce naquele pequeno segundo em que você decide evitar.

 
 
 

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